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Mundial de Futebol 2018? Meus senhores…

Estádio do Algarve - A escola mais fixe do mundoNos últimos meses tem vindo a ser ventilada, em alguma imprensa, a hipótese de Portugal, conjuntamente com a Espanha, poder vir a acolher o Mundial de Futebol em 2018. A magnífica ideia partiu, ao que parece, dos presidentes das federações de futebol de ambos os países e, pelos vistos, até já tem algum background a nível político, também dos dois lados da fronteira. Em traços muito gerais, a candidatura seria liderada pela Espanha, que apresentaria 8 cidades para acolher os jogos do torneio, enquanto que Portugal avançaria com 4. A final seria espanhola e a cerimónia e o jogo de abertura seriam portugueses. Muito bem!

Segundo o que tenho por aí lido, o nosso investimento seria reduzido, visto que os estádios já existem, fruto do tão saudoso Euro 2004. É claro que não poderemos passar sem gastar mais uns milhões de Euros porque isto de organizar mundiais, seja lá do que for, não é propriamente barato.

Depois do já citado Euro 2004, que nos deixou tantos amargos de boca (quem não se lembra da final com os adónis gregos) e um porradão de estádios de última geração às moscas ou a servir de escola (do ensino básico, entenda-se, não de futebol), os iluminados dirigentes desportivos e políticos do nosso país acham boa ideia torrar mais alguns tostões no mundial…

Exposto problema, resta-me reagir. De rir já não vou tendo vontade. A violência física também não resolve grande coisa. Se calhar uma sugestão ridícula. Em vez de um Mundial de Futebol, organize-se um Mundial dos Hospitais. Constroem-se dúzia e meia de unidades de saúde de última geração, convidam-se os melhores médicos do mundo, põem-se os profissionais a fazer o que sabem e:

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Uma experiência

Cristiano RonaldoIsto de manter um blog é um pau de dois bicos. Por um lado é gratificante receber quem nos visita e o seu feedback, mas por outro pode tornar-se frustrante se atingirmos o estado a que eu, carinhosamente, gosto de chamar pregar aos peixes.

Admitamos: a todos os que escrevemos um blog, aparte os milhares de possíveis motivos que temos para o fazer, assalta-nos uma pontinha de vaidade por saber que alguém lê e até comenta o nosso material. Se isso não acontecer, ou deixar de acontecer, acabamos por atingir o tal estado de pregoueiros a espécies aquáticas e isso, meus senhores, não mata mas dói!

É por essas e por outras que às vezes nos dá para escrever coisas sem sentido, como este texto ao qual vos estou a submeter e é também pelo mesmo motivo que nós, bloggers, de tempos a tempos, nos deixamos tentar e partimos em busca de visitantes fáceis.

No entanto, e para que não se sintam muito violentados pela fraca qualidade desta exposição, aqui fica um rebuçadinho, como faziam os barbeiros de antigamente quando as crianças choravam porque cortar o cabelo, como está mais do que provado, faz doer. O que se segue é uma experiência científica e os caros leitores podem e devem sentir-se priveligiados por participar nela.

Com esta seca que vos deixo (agora lembrei-me do Aleixo) espero vir a conseguir enganar algumas dezenas de leitores que, de outra forma, não visitariam nunca este blog. E como vou fazer isso? Assim:

Aquilo ali em cima (para além de um puro e claro devaneio) é uma short list com alguns dos termos mais pesquisados pelos utilizadores da Internet de língua portuguesa. Todos os dias, milhares de pessoas, como eu e como tu, introduzem essas palavras nos motores de pesquisa e, com sorte (lá se vai a experiência científica) alguns deles vão vir aqui parar.

É claro que quando perceberem que foram enganados e que não ver a Soraia Chaves ou a Mariza Cruz ou a Madonna ou a Britney Spears, nem sequer a vizinha do lado, em trajes menores ou sem qualquer espécie de trajes, vão ficar um bocadinho zangados e vão sair daqui mais depressa do que o Cristiano Ronaldo finta um daqueles ingleses de 2 metros nos jogos da Premiere League.

No entanto, e aqui é que está a beleza disto tudo, essa gente vai contar para as minhas estatísticas de visitas e vai polir um pouco o meu ego de blogger medíocre.

Daqui por alguns dias volto a este assunto com dados concretos acerca desta estratégia de marketing para a Internet. Mas, até lá, o que acham vocês, caros leitores, destes meus métodos?

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Lembras-te?

Eu sim.

Como se tivesse sido ontem ou hoje ou amanhã.

E no final, antes de ir, beijei-te na testa…

PS - Se tiverem curiosidade acerca da música, que por sinal é muito feia, perguntem que eu respondo.

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A letra p não é primeira letra da palavra poema

Gosto muito de ler o que um senhor chamado José Luís Peixoto escreve. Gosto dos seus romances, das suas crónicas, dos seus contos, dos seus poemas.

Gosto tanto que decidi fazer uma brincadeira com um deles e mostrá-la aqui…

Abaixo está um pequeno leitor áudio onde podem ouvir a leitura que fiz do poema que aqui transcrevo.


o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema,

lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não se escrevem,

lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.

o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias do verão
e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu fui
feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a letra p e
comia torradas feitas no lume da cozinha do quintal,
o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas e sem metáforas,
que te amo, o poema será quando as crianças e os
pássaros se rebelem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.

o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada,

não é um torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.

o poema não têm estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,

a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido.

José Luís Peixoto

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Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a CegueiraHá cerca de 2 meses atrás escrevi este post sobre um episódio ridículo que aconteceu aquando da estreia do filme Ensaio Sobre a Cegueira nos Estados Unidos. Já nessa altura a minha curiosidade acerca desta produção era muita.

Por um lado, porque incluo o livro de Saramago, no qual o filme se baseia, na lista dos meus preferidos e por outro, pelo facto do realizador ser Fernando Meirelles (A Cidade de Deus e o Fiel Jardineiro) e de entre o magnífico lote de actores deste filme estarem nomes como Julianne Moore e Mark Ruffalo.

Tudo isto vem a propósito do facto de, no próximo Sábado, o filme ser exibido no Centro Cultural de Campo Maior, às 21.30 horas. É uma espécie de sugestão cultural e, sinceramente, acho-a tentadora.

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2008 em revista fotográfica

2008 está a chegar ao fim e nestas alturas é costume fazer-se uma espécie de balanço acerca do ano que termina. Encontrei um destes resumos, em formato fotográfico, na edição electrónica do jornal americano The Boston Globe. São três páginas repletas de grandes fotografias que nos conduzem ao longo de 2008. É claro que nestas coisas a subjectividade reina sempre e para muitos estes não serão os aontecimentos mais importantes do ano que acaba, mas vale sempre a pena ver, nem que seja por uma questão de enriquecimento pessoal. Chamo a vossa atenção para o facto de estarem por ali algumas fotografias duras, que podem ferir a susceptibilidade de alguns leitores.

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